Depois do Decreto
Nos anos seguintes à edição do Decreto-Lei 9.215 de 1946, o hotel de Teresópolis passou por um processo gradual de reposicionamento. Em vez de insistir em um modelo de entretenimento noturno que já não correspondia ao novo quadro legal, a administração optou por reforçar os atrativos que sempre haviam sustentado o empreendimento: o clima de montanha, a vista a partir do mirante e os jardins em terraço, reorientando o hotel para um público interessado em turismo de natureza e descanso em família.
O salão panorâmico, símbolo da vida social da década anterior, não foi desativado — pelo contrário, passou a ser utilizado para eventos diurnos, como almoços comemorativos, encontros de associações regionais e, eventualmente, pequenas convenções empresariais. A estrutura de janelas em arco, projetada originalmente para valorizar o entardecer, revelou-se igualmente eficiente para iluminar reuniões diurnas, o que ajudou a prolongar a vida útil do espaço por décadas.
Novos públicos, mesma paisagem
Ao longo das décadas de 1950 e 1960, o hotel consolidou-se como destino de referência para o turismo de montanha na região serrana fluminense, beneficiado pela crescente popularidade de Teresópolis entre moradores do Rio de Janeiro em busca de clima ameno. Alpinistas e caminhantes começaram a frequentar a propriedade como ponto de apoio para expedições aos picos da serra dos órgãos, consolidando um perfil de hóspede mais voltado à prática esportiva do que à vida noturna que caracterizara o período anterior a 1946.
Essa transição de público é um dos aspectos mais bem documentados na história do hotel, registrada em guias de viagem e reportagens de jornais regionais que, ao longo das décadas seguintes, passaram a descrever o local menos como "point" de vida noturna e mais como refúgio de montanha para famílias e praticantes de turismo de aventura.
O legado que chega até hoje
Embora o edifício original tenha passado por reformas e ampliações ao longo do século XX, o mirante e o traçado dos jardins em terraço permanecem como elementos reconhecíveis da paisagem construída na década de 1930. É justamente essa permanência que torna possível o exercício de comparação apresentado na seção Panorama Então e Agora, que contrasta a vista histórica registrada antes de 1946 com o panorama observável a partir do mesmo ponto nos dias atuais.