Os Jardins em Terraço
Entre o edifício principal e a estrada de acesso, o hotel desenvolveu um sistema de jardins em terraço que acompanhava o desnível natural da encosta. Em vez de nivelar o terreno artificialmente — solução cara e tecnicamente arriscada naquele relevo —, os projetistas optaram por criar uma sucessão de patamares escalonados, conectados por escadarias curtas de pedra e corrimãos de ferro forjado.
Cada patamar recebia um tratamento paisagístico distinto: o nível mais próximo do edifício concentrava canteiros ornamentais com espécies ornamentais de baixo porte, escolhidas por floração constante; os níveis intermediários abrigavam pequenos bosques de árvores nativas da Mata Atlântica, preservadas durante a terraplenagem; e o patamar mais baixo, próximo ao limite da propriedade, funcionava como mirante secundário, com bancos de pedra voltados para um recorte diferente da serra.
Um passeio planejado
A sequência de terraços foi concebida como um percurso de contemplação, e não apenas como solução de engenharia para o desnível do terreno. Hóspedes eram incentivados pela própria administração do hotel a descer os patamares ao longo da tarde, aproveitando a luz mais suave antes do jantar no salão panorâmico. Esse hábito aparece registrado em cadernos de hóspedes preservados por descendentes de famílias frequentadoras, que mencionam os jardins como um dos passeios obrigatórios durante a estadia.
A manutenção dos jardins exigia uma equipe permanente, responsável tanto pela jardinagem ornamental quanto pela conservação das escadarias de pedra, frequentemente afetadas pela umidade constante da serra. Ainda assim, os jardins em terraço se mantiveram como um dos atrativos mais estáveis do hotel durante praticamente toda sua primeira década de funcionamento.
Relação com o restante do conjunto
Do ponto de vista arquitetônico, os jardins em terraço funcionavam como transição entre a arquitetura de montanha do edifício principal, descrita na seção Arquitetura de Montanha, e a paisagem natural da serra. Essa integração entre construção e relevo é um dos aspectos mais destacados por historiadores locais ao analisar o conjunto, e permanece como referência central na reconstrução ilustrada apresentada neste acervo.