O Mirante
Antes de qualquer construção, havia apenas o mirante: uma saliência rochosa na encosta da serra dos órgãos, acessível por trilhas estreitas, de onde se via um horizonte de picos recortados e vales cobertos de mata. Moradores da região e viajantes ocasionais já frequentavam o local no final do século XIX, atraídos pela amplitude da vista e pelo ar fresco de altitude, raro a poucas horas do litoral fluminense.
Foi esse mesmo mirante que, nas primeiras décadas do século XX, chamou a atenção de investidores interessados em desenvolver o turismo de montanha em Teresópolis. A ideia inicial era simples: aproveitar o ponto de observação natural como atrativo central de um empreendimento de hospedagem. O projeto evoluiu ao longo de alguns anos, até que, em 1937, o grande hotel foi inaugurado exatamente sobre a plataforma do mirante, incorporando-o como terraço de observação do próprio edifício.
Um terraço com função dupla
Depois da construção, o mirante deixou de ser apenas um destino de caminhada e passou a cumprir duas funções simultâneas. Durante o dia, servia como terraço de contemplação, usado por hóspedes para fotografias, piqueniques e longas observações da serra com binóculos emprestados pela recepção. Ao entardecer, o mesmo espaço se tornava extensão do salão panorâmico, com mesas dispostas perto do parapeito para que a vista acompanhasse as primeiras horas da vida social noturna do hotel.
Relatos de hóspedes da época descrevem o mirante como o verdadeiro cartão de visitas do hotel — era comum que anúncios em jornais do Rio de Janeiro mencionassem a vista antes de qualquer outra comodidade. A disposição do parapeito, com balaustrada de pedra e alguns bancos de madeira, foi mantida praticamente inalterada entre 1937 e 1946, e permanece como um dos elementos arquitetônicos mais bem documentados do conjunto.
Por que o mirante importa para este acervo
O mirante é tratado neste museu virtual como o ponto zero da história do hotel: sem ele, não haveria justificativa para erguer um empreendimento de hospedagem naquele trecho específico da serra. Por isso, a reconstrução da paisagem histórica a partir do mirante é o eixo da seção Panorama Então e Agora, onde é possível comparar a vista registrada na década de 1930 com o panorama observável hoje a partir do mesmo ponto.