O Salão Panorâmico
Se o mirante era a origem do hotel, o salão panorâmico era seu coração. Projetado para ocupar toda a extensão da fachada voltada para a serra, o salão tinha pé-direito duplo e uma sequência de janelas em arco que cobriam quase toda a parede externa, permitindo que a luz da tarde e as últimas cores do entardecer entrassem sem obstáculos. À noite, cortinas leves eram parcialmente fechadas, mas a disposição das mesas sempre priorizava quem quisesse acompanhar os últimos reflexos de luz sobre os picos.
O piso era de madeira maciça, tratado para resistir à umidade da montanha, e o teto apresentava vigas aparentes que reforçavam a sensação de um grande chalé de altitude, em contraste com o rigor mais urbano de hotéis cariocas da mesma época. Um pequeno palco, montado em uma das extremidades, recebia pequenos conjuntos musicais contratados para apresentações noturnas, enquanto o restante do salão era ocupado por mesas redondas destinadas a jogos de salão, conversas e chá da tarde.
O ritmo das noites no salão
Os relatos reunidos neste acervo descrevem uma rotina bem definida: o salão abria ao final da tarde, recebendo hóspedes que desciam das trilhas ou retornavam de passeios pelos jardins em terraço. Por volta das 19h, o serviço de jantar era complementado por música ao vivo, e depois das refeições o espaço se transformava em ponto de encontro para danças de salão e partidas de cartas e tabuleiro entre famílias e grupos de amigos. Esse uso misto — social, musical e lúdico — é o que torna o salão panorâmico o ambiente mais documentado de todo o hotel.
A iluminação artificial, elemento relativamente moderno para um hotel de montanha da década de 1930, vinha de lustres de ferro forjado com lâmpadas de filamento, dispostos em intervalos regulares ao longo do teto. Esse detalhe aparece em quase todas as fotografias remanescentes do período, servindo hoje como referência para a reconstrução ilustrada apresentada neste museu virtual.
Do auge ao silêncio
Com a edição do Decreto-Lei 9.215 de 1946, o uso noturno do salão precisou ser reorganizado, e grande parte da programação de jogos de salão foi descontinuada nos anos seguintes. O espaço, no entanto, não foi abandonado: sua arquitetura de janelas em arco permitiu que fosse reaproveitado para outras funções sociais, como descrito na seção Depois do Decreto.